Adulto também é rejeitado! Você foi cancelado? Veja dicas para lidar com isso sem sofrer tanto

Pessoa cancelada

Embora a rejeição seja um sentimento comum, afinal estamos todos suscetíveis a ter de enfrentá-la em algum período ou situação, o fato é que nunca estamos preparados para lidar com ela. Rejeitar é o mesmo que recusar, resistir, desaprovar, e não é nada confortável enfrentar esse tipo de negação.

“A rejeição é uma experiência que causa fissuras na nossa autoestima, como se o entorno sinalizasse que não somos importantes e internalizamos esse sentimento como se fosse uma verdade sobre nós”, diz a psicóloga Elisângela Domingues Michelatto Natt, docente na Univali (Universidade do Vale do Itajaí).

Por isso, a rejeição tende a machucar tanto. Temos a necessidade de aprovação e de acolhimento e, apesar de a rejeição não ocorrer, necessariamente, por algo intrínseco de quem a sofre, pois ela pode ser uma questão do outro, alimentamos uma tendência à culpa. “Não é simples atribuir importância a si próprio, e se essa rejeição se repete, vamos ficando frágeis emocionalmente”, considera Natt.

Quais os impactos de uma rejeição?

De acordo com Wilson Aparecido Silva, doutor em psicologia social que atua na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), as rejeições fazem parte da construção de nossa identidade, comportando elementos conscientes e inconscientes. “Suas marcas podem ser agravadas, elaboradas ou ressignificadas, dependendo de seu grau de intensidade e duração e das nossas experiências reais e simbólicas”, explica.

A forma como somos aceitos ou rejeitados interfere nos sentimentos que temos em relação a nós mesmos como valorização, depreciação ou descrédito. Por isso, sentir-se rejeitado pode causar muitos danos emocionais. “Sofrer rejeição em diferentes fases do desenvolvimento podem ocasionar problemas sérios na autoimagem e autoestima”, acrescenta o psicólogo Wagner Machado, docente da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Segundo Sergio Enrique Faria, hipnoterapeuta, especialista em neuropsicologia, a dor da rejeição pode causar tanto ou mais sofrimento do que a dor física, pois ela afeta a segurança e a autoestima da pessoa, interferindo negativamente em suas atividades diárias.

Quanto mais precoce e intensa a percepção de rejeição, maiores são os danos emocionais. Afinal, ser rejeitado causa sempre uma sensação de desconforto, mas se isso acontece na infância os danos tendem a ser mais profundos, influindo até mesmo na maneira como o indivíduo irá lidar com a rejeição ao longo de sua vida. Segundo Natt, uma criança rejeitada tende a se tornar um adulto inseguro, com pouca consciência sobre si mesmo e mais dependente. Podendo, muitas vezes, se sujeitar a relacionamentos abusivos ou mesmo relações cotidianas de subserviência.

O cancelamento é uma forma de rejeição

É esperado que o adulto tenha uma forma mais positiva de lidar com a rejeição. Porém, boa parte das pessoas possui lacunas no desenvolvimento de alguns processos como autoaceitação e autonomia, podendo levar a um sofrimento extremo em função da rejeição. Para Silva, na atualidade, lidar com a rejeição tem sido mais complicado, pois ela ocorre de maneira rápida, direta e instantânea. E este é um sentimento que precisa ser elaborado. “A questão da rejeição acaba provocando o medo de ser ‘cancelado’, situação em que o sujeito passa por uma espécie de linchamento (rejeição virtual), em função de seus posicionamentos, conferindo ao ‘cancelador’ o crivo da superioridade”, exemplifica.

Sergio Enrique conta um caso de linchamento virtual que recebeu em seu consultório no Estúdio da Mente, no qual uma pessoa, após expor sua opinião política em um determinado grupo do Facebook, foi ofendida, stalkeada e passou a ser perseguida por pessoas do grupo que coletaram suas informações e passaram a ameaçá-la. Espalharam sua foto e chegaram a ligar para o RH de sua empresa para tentar prejudicá-la. “A pessoa estava terrivelmente apavorada e traumatizada”, lembra Sergio.

Em suma, a rejeição interfere em todos os âmbitos de vida, mostrando que a pessoa não atingiu uma maturidade emocional e podendo potencializar a experiência de negação do seu ser, de seu modo de pensar e agir. Machado diz que é comum pessoas renunciarem, mesmo que por um tempo, características pessoais para se confirmarem em um grupo social. “Cada indivíduo possui um limiar do que pode conceder em nome da aceitação e conformação social, mas se ceder muito isso será convertido em sofrimento, perda de identidade, distanciamento e outros estados emocionais negativos”, confirma o psicólogo.

Como lidar com a rejeição sem sofrer tanto

Para aprender a lidar com o sentimento de rejeição é necessário, antes de mais nada, passar por um processo de autoaceitação. Quem teve relações mais seguras e acolhedoras na infância parte melhor para seu desenvolvimento até a idade adulta. “Falhas nessas relações e no desenvolvimento da autorregulação emocional levam a formas menos adaptadas de lidar com a rejeição”, destaca Machado. Por isso, listamos algumas dicas essenciais para reverter isso e enfrentar este tipo de situação sem tanto sofrimento.

Autoconhecimento: conhecer-se leva a uma aceitação realista de si, dos aspectos positivos e negativos de sua personalidade;

Observação: analisar os gatilhos que reatualizam situações de abandono e que podem gerar no presente situações de dependência emocional;

Avaliação: perceber se essa dificuldade é tolerável, pois se provoca sofrimento e torna o sujeito disfuncional, é imprescindível buscar ajuda profissional;

Autocompaixão: sem excesso, ajuda o indivíduo a ter uma visão mais realista sobre si, sem tantas críticas e sentimento de culpa;

Autoaceitação: ajuda na aceitação da forma como a pessoa é e enfrenta seus próprios critérios e experiências pessoais para encarar a vida, deixando-a mais autocentrada e confiante;

Autonomia: surge a partir do desenvolvimento da autocompaixão e autoaceitação. Tais processos auxiliam a lidar de uma forma mais positiva com a rejeição, com a chance de cada vez menos responder às expectativas dos outros e à conformidade social;

Controle: colocar-se numa posição de inferioridade de forma recorrente pode fortalecer as distorções cognitivas que contribuem para interferir na forma como encara os fatos. Por isso, é importante manter pensamentos negativos e que o jogam para baixo sob controle;

Crie oportunidades: a dor da rejeição pode ser superada ao criar novas conexões que priorizam a valorização e aceitação da pessoa como ela é. Não fique preso ao que o faz mal, sempre é importante avançar para novas conquistas.

Se você está sofrendo com rejeição e não está conseguindo livrar-se deste sentimento, procure ajuda profissional!

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Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/09/13/8-dicas-para-lidar-com-a-rejeicao-sem-sofrer-tanto.htm

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Sobre o Autor

Sergio Enrique mostrando cérebro na hipnose

Prof. Sergio Enrique Faria

Sergio Enrique Faria é diretor do Estúdio da Mente. Psicanalista, Parapsicólogo, Hipnoterapeuta, Coach, Trainer e Master Practitioner Internacional em PNL – Programação Neurolinguística.
Doutorando em Ciências da Educação, Mestre em Comunicação, Pós-graduado em Neurociência Clínica e Educacional. Pós-graduado em Neuropsicologia, Pós-graduado em Neuropsicopedagogia, Pós-graduado em Psicanálise Clínica, Pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior, Pós-graduado em Comércio Exterior e Bacharel em Administração de Empresas, Líder de Aprendizagem certificado pela Harvard University (EUA).
Palestrante, treinador e Professor universitário em cursos de pós-graduação e MBA. Autor e coautor dos livros: “Vendas e Negociação com PNL – como entrar nas mentes de seus clientes”. “Manual completo de PNL – Estratégias de grandes especialistas da Programação Neurolinguística para alcançar a excelência” e “Educação 2008 – As mais importantes tendências na visão dos mais importantes educadores”. 

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